Arquivo do mês: março 2013

Um dia após o outro

Hoje estou em meu terceiro dia usando meus “amigos” , ainda encontrando algumas dificuldades na adaptação, mas ao que percebo já estou menos incomodada com a presença deles.

Continuo a descobrir, ou melhor, a redescobrir novos sons, já não lembrava mais como era alto o som da sirene de uma ambulância, como era o barulho da chuva forte no telhado, enfim, para a maioria das pessoas esse tipo de som passa despercebido, mas para quem não ouvia e voltou a ouvir é o máximo.

A maior dificuldade que estou encontrando é como falar ao telefone, com o aparelho auditivo tenho que buscar uma posição para o telefone, se colocar muito perto o meu “amiguinho” apita, se colocar mais longe eu não escuto…assim, a solução encontrada é tirar o aparelho pra falar ao telefone, agora, imagine que você trabalha com público e o telefone toca o dia todo. É, não tem outra alternativa a não ser me acostumar e encontrar um jeito de lidar com isso.

Estou planejando postar em breve sobre alguns medicamentos que prejudicam a audição, mas preciso de um tempo para agrupar as informações. Enquanto isso, continuo insistindo com os aparelhos e compartilhando minha experiência diária com eles.

No geral, tem sido muito legal redescobrir o mundo sonoro. Nada como um dia após o outro.

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O recomeço

Um ato de coragem foi necessário para assumir a necessidade física de usar aparelho auditivo, sim, a impressão que eu tenho é que mesmo nos dias atuais, ainda existe muito preconceito em relação a ver alguém usando os tais aparelhinhos, talvez curiosidade ou mesmo a falta de informação a respeito do assunto. Diferente da deficiência visual, corrigida pelo uso de lentes, que talvez por ser mais comum, as pessoas não notem e nem enxerguem como uma deficiência que precisa ser corrigida. Então, quando senti a real necessidade, trabalhei em mim o psicológico para enfrentar qualquer tipo de questionamento e até mesmo ser alvo de algum possível comentário, ainda mais eu que trabalho com o público.

O primeiro dia foi um verdadeiro sacrifício, é como aprender a ouvir novamente, novos sons, novas tonalidades vocais, novas sensações sensoriais e o incomodo constante por sair de sua zona de conforto. Até mesmo o tintilhar de um talher é suficiente para te fazer pensar em desistir da ideia, tamanho o incomodo do som até então com intensidade desconhecida.

Posso dizer que senti vontade de tirar os meus “amigos” e desistir da ideia logo de cara, mas resolvi me desafiar.  Se vou conseguir eu não sei, mas só vou descobrir tentando e insistindo.

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O começo

A idéia desse blog surgiu numa manhã cotidiana, no devaneio do meu silêncio enquanto eu testava meus novos “amigos”, meus aparelhos auditivos. Enquanto eu tentava me habituar a eles, eu questionava a mim mesma porquê não escrever um diário com os dilemas de alguém que não tem a audição perfeita. E aqui estou, para compartilhar desse desafio, e contar um pouco de como é ser deficiente auditivo.

Eu ainda era uma criança quando descobri que eu poderia ter herdado da minha família paterna a perda auditiva, uma vez que minha avó  já havia sido diagnosticada com deficiência auditiva, e praticamente quase todos os meus tios paternos também herdaram essa alteração genética. Foi quando iniciei o acompanhamento no Cedalvi, “Centrinho” da USP, em Bauru e diga-se de passagem, com excelentes profissionais preparados profissionalmente.

A questão é que não quero falar da perda auditiva em si, mas sim das questões que abrigam esse tema, como por exemplo, o cotidiano de quem não ouve normalmente, a fase de adaptação com o aparelho e questões gerais relacionadas a esse tema.

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